domingo, 2 de agosto de 2009

Dicas econômicas da velha chata

A pedidos, inauguro a série DICAS DA VELHA CHATA com várias sugestões de consumo consciente e de economia no bolso no fim das contas. Espero que gostem:



1) Reclame, reclame, e reclame:

Não aceite menos dos produtos ou serviços que adquire. Todo investimento com embalagens, manuseio, perdas, publicidade estão embutidos no preço que você paga. Assim sendo não podemos aceitar o "mais ou menos". Além do que, se não tem retorno, as empresas acham que estão agradando e continuam a agir da mesma forma. Leve a sério a gravação: "sua ligação é muito importante para nós."



2) Ao reclamar priorize o email. Se não for possível procure o SAC aliado ao 0800 (ligação gratuita):

Quando você for entrar em contato com a empresa, pense que se você conseguir fazê-lo por email vai realizar seu contato sem espera, musiquinhas irritantes ou enrolação. Além disso poderá fazê-lo a qualquer hora, adequando a sua rotina, assim como a resposta independe de horários. Claro que o retorno teu que vir prontamente. Se isso não ocorrer alie-se ao SAC gratuito. Não importa a demora você não estará pagando pela ligação.



3) Se for usar um contato de 0800 - ligação paga pela empresa - use o celular para fazer a chamada:

Sim, se você pretende fazer uma reclamação geralmente já se prepara para longas esperas com musiquinhas irritantes não é? Porém você pode minimizar o problema realizando a chamada através do seu celular. Isso porque como a tarifa sai mais cara para a empresa, eles atendem mais rapidamente . E ainda, caso demore, você pode fazer outras coisas enquanto espera colocando no viva-voz.



4) Ao invés de reclamar para os outros, reclame diretamente para o causador do problema:

Não faça de suas reclamações uma lamentação sem sentido. Direcione para quem realmente te causou ou pode resolver o problema. Você pode se surpreender com uma solução que nem imaginava.



5) Em compras de legumes e frutas em supermercados que pesam no caixa, confira na nota se o produto foi corretamente classificado na pesagem:

Com tanta variedade nova de legumes e frutas no mercado, muitas caixas não conhecem todos os produtos e na hora de pesá-lo, passam o código de outro. Incrivelmente elas sempre erram para produtos mais caros: melão amarelo passa por melão orange, pepino caipira por penino japonês....pequenas diferenças no nome, abreviadas na nota fiscal que podem fazer seu produto passar de 100% a mais no preço por quilo. Já peguei diferenças de até R$ 13,00 em uma única compra.



6) Pechinche sempre:

a) Muitas coisas se tornaram mais populares como TV a cabo, internet banda larga, a telefonia tem muita concorrência.. Serviços que vcê tem há tempos podem estar sendo vendidos por um preço inferior. Se já estiver fora das carências, solicite enquadramento no novo plano afirmando que pode sair e comprar no novo preço.

b) Valor em várias vezes é sempre embutido de juros: se vai pagar à vista peça desconto. Se não derem,compre no carnê e o pague de uma só vez no dia seguinte: confira como dão desconto pela quitação.

c) Se vai pagar em dinheiro, tente um desconto. Eles pagam até 5% do valor da compra para a operadora do cartão. Funciona muito bem em lojas pequenas.



7) Faça contas:

Sempre calcule se vale à pena rodar mais pra pegar aquela promoção imperdível a 15 Km da sua casa...será que o desconto não vai ser consumido em combustível - pense mais amplamente: cada Km rodado gera desgaste do carro, tempo resultando em dinheiro...calcule tudo isso e acrescente à oferta. Vale à pena mesmo?

continua...

Coleta seletiva

Um hábito tem duas tendências: geralmente os que são fáceis de se adquirir, são dífíceis de se perder...e se difíceis de se criar são por vezes fáceis de se perder. Ou seja a máxima da velha guarda: "tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorada" pode ser expandida para aquilo que a gente acostuma logo é gostoso e ao que acotumados fica difícil de perder.
Já o que não é tão gostoso assim ou trabalhoso....hum...rapidinho, sem incentivo perdemos o hábito. E foi essa minha briga dessa semana com a Prefeitura. Aqui implantaram coleta seletiva do lixo, após tanta insistência da gente. Vieram os panfletos, as orientações das Cooperativas...hábito difícil de criar, muitos resistiram...disseram não ter resultados, outros achavam que dava trabalho. Enfim, o processo de conscientização foi longo, trabalhoso e corria o risco de se perder em pouco tempo.
Ocorre que depois que todo mundo aprender, incorporar o hábito por semanas no dia certo a coleta não passava.
A vizinhança já estava desistindo. Ao contrário disso eu resolvi botar a velha chata em ação: literalmente infernizei! Ligações ao 156, e muita paciência. Tem que ter.
Fato é que a cidadania envolve muitas partes e o Poder Público tem que fazer a dele. A coleta seletiva dimimui o lixo nos aterros, mas principalmente dá uma vida digna a muita gente. Os catadores tem sido desestimuladas por queda nos preços da sucata atribuídas à crise. Tem que se valorizar esse profissional que promove a corrente da reciclagem. Não deixemos que ela pare.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Obituários

Uma vez uma amiga jornalista me contou que a imprensa já tem pronta obituários da maioria dos grandes nomes e estrelas. Na hora de "usar" por assim dizer, eles só atualizam, acrescentam poucas coisas e publicam.
No momento em que ouvi achei estranho, meio mórbido pensar que aquele caderno que sai no jornal logo na manhã seguinte já estava pronto há muito tempo...perdeu a magia de imaginar como fizeram tão rápido...ilusão. Não existe magia no mundo corporativo, não iriam mobilizar todos os editores para uma causa simples e definitiva da vida: a morte.
Fato é que mesmo nessa hora, Michael Jackson agiu como ídolo pop: deu tempo para a preparação. Nas notícias desencontradas e não confirmadas, todos já se agitavam e procuravam juntar informações, imagens para divulgar.
A lenda pop sempre cercada de polêmicas não poderia ter um fim diferente. Grandes mitos desaparecem no tempo e espaço e assim são eternizados. Não envelhecem imitados à exaustão como Elvis Presley até hoje.
A verdade é que como bem definiu Barack Obama em seu pronunciamento Michael teve uma vida de triste e de tragédias. O astro que começa criança e não podia brincar...que cresce famoso e não pode sair, que envelhece menos idolatrado e não aceita...
Quem sabe a mudança de fisionomia não era uma tentativa vã de fugir de si mesmo?
Fica a lenda, e a obra que transcendem o tempo marcado pelo homem.

sábado, 13 de junho de 2009

O consumo consciente em organização de festas

Não pensem que não curto festas...só quero alertar sobre o consumo consciente.

É impressionante como a sociedade atual nos "empurra" para a necessidade de ter tantas coisas nas datas comemorativas e nas festas em geral. Além do consumismo exagerado que a publicidade nos vende fazendo o cidadão se sentir o pior dos piores por não ter comprado tal produto, ainda temos a questão da ambientação das festas que também foi industrializada.

A organização de uma festa animada passou a contar com ítens obrigatórios -a meu ver nem sempre necessários - e que são uma verdadeira afronta ao meio ambiente. Ao término do envento vemos uma montanha de lixo acumulado que não é reaproveitado.

As bandeirinhas de festa junina, antes confeccionadas no famoso "papel de seda" tão fininho, tão rapidamente decomposto, deu lugar a bandeirinhas de plástico, baratinhas, mas que levam muito anos pra serem absorvidas. O cachorro quente, a pipoca, o quentão...tudo vai pros recipientes plásticos que vão pro lixo - quando vão...em geral ficam no chão a ser varrido no fim da festa.

Nas festas de aniversário tudo é descartável do prato e copo até as bandejas muitas vezes. Fora as caixas de isopor pra conservar quentinhos os salgadinhos.


E a moda das festas de debutantes e casamentos? Viraram super eventos onde é obrigatória a distribuição de vários acessórios como óculos, antenas e cogêneres para garantir a diversão. Acontece de todos são feitos de plástico e não passam da porta do carro. Isso se alguém que passou da cota na bebida não resolver jogar pela janela do carro.

Ah gente, a festa fica linda de qualquer jeito com boa comida, bom papo, boa música. Não precisa mais que isso pra animação. E fazer a decoração, manualmente também acaba fazendo parte do ritual da curtição da festa, começamos a curtir antes. Tente, invente, faça diferente!


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Política do Pão e circo....

Uma das matérias mais fascinantes da faculdade de direito na minha opinião foi o Direito Romano. Não sei se essa predileção deriva do fantástico educador Del Nero (João Alberto Schutzer Del Nero) ou pela cultura que até hoje influencia diversas características sociais, intelectuais e legislativas.
O regime monarquista do Império Romano assim como o Brasil, tinha diversos problemas sociais. Enquanto a escravidão gerava desemprego na zona rural, esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Parece familiar? Pois a solução encontrada pelo Imperador Romano da época não parece muito diferente das promovidas atualmente pelo governo Brasileiro.
Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.
Pois bem, enquanto o governo Brasileiro associa a crise mundial a uma "marolinha", a doença de sua possível sucessora a algo facilmente tratável, o desemprego aumenta e o poder de compra da classe média cai a cada dia, além claro, de se protelar indefinidamente com manobras absurdas a CPI da Petrobrás. Porque será?
Sua mais nova manobra junto ao Governo Chinês, que "adiantou" 10 bilhões de dólares em troca de 200.000 barris de petróleo por dia pelo período de 10 anos....sim você leu corretamente 10 anos. Fazendo a conta: 200.000 barris por dia X 365 dias X 10 anos = 730.000.000 de barris
Dividindo US$ 10 bi por 730 mi = US$ 13.69!!!!!!!!!!!!!!!! O preço do barril hoje, a pior cotação dos últimos 10 anos, está em torno de $35-40 (subindo). E já chegou a $150!!!
Assim sendo, a CPI da Petrobrás poderia expôr tal bagatela e perturbar a ordem pública dos 49% de opinião pública (não me pesquisaram e você?) que apóiam o terceiro mandato.
A política do pão e circo então foi implantada aqui também....direta ou indiretamente foi em momento oportuno que um avião moderno desaparece, cai, levando passageiros ilustres ou não. E assim, a mídia em geral fica tão comovida que passa a exibir incessantemente explicações ou especulações sobre o acidente, sobre caixas pretas, outros acidentes, vítimas, histórias pessoais.
Pra mim chega! Não quero mais um caso Isabela Nardoni na minha tela - quando tive que abandonar a televisão por algumas semanas pois não queria contaminar a cabecinha de meu pequeno filho com desgraças. Tenho certeza que quando acharem um corpo decomposto, cujo rosto foi comida por peixes vão mostrar em close. Não obrigada!
Buscam uma caixa preta....eu gostaria que implantasse uma caixa preta nos acordos internacionais, no congresso e depois a buscassem com o mesmo empenho!
O circo está ai pessoal, só falta junto das imagens mandarem uma porção de batatas fritas....e não pensem que a idéia é revolucionária. "Sin perder la ternura"...companheiro!
E depois eu é que sou chata!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Felicidade para todos

Esse é o primeiro post que surgiu em parceria. Obtive as seguintes informações de uma amiga e me interessei pelo assunto.

Você já ouviu falar em FIB? Pois essa idéia vem sendo discutida pela UNICAMP e em outras comunidades para aplicação em breve em nosso país. O índice de Felicidade Interna Bruta (FIB) já está sendo usado para orientar políticas públicas, empresariais e até pessoais partindo do princípio que a satisfação de uma pessoa, ou dos habitantes de um país, depende do contentamento que se tem em nove áreas diferentes.

A maioria das pessoas tem muita dificuldade em responder se são felizes ou não. Pensando nisso, Jigme Singye Wangchuck, então rei do Butão – pequeno país entre a China e o Tibete – há mais de 30 anos criou um índice de desenvolvimento social baseado em pesquisas que procuram mapear o que pode trazer felicidade para seu povo.
Hoje a idéia já está disseminada em vários países, inclusive o Brasil que sediará em novembro próximo o Encontro Internacional sobre o tema. Segundo o ministro do planejamento do Butão uma das melhores maneiras para se buscar mais felicidade é determinar com detalhes o que nos traz sofrimento e alegria.


Apesar de suas riquezas naturais e preservação ambiental, o Butão acabou se tornando conhecido por ser um laboratório onde se gestam possíveis rumos para o futuro da humanidade. Procura-se criar critérios que determinem a satisfação de vida e bem estar físico e psicológico. Atualmente o FIB tem 9 indicadores gerais, subdivididos em 73 itens.
Tais fatores vem se relacionando ao desenvolvimento de um país, medidos pelos índices de qualidade de vida reconhecidos pela ONU. E os dados da FIB são constantemente atualizados.
A idéia atual é se aplicar o FIB localmente para que posteriormente possa ser usado como referência para políticas públicas governamentais. No Brasil esse projeto vem sendo aplicado em cidades do interior e já ganhou militantes entre o governo de capitais. Os coordenadores locais acreditam que o país tem potencial para se tornar o primeiro país do mundo depois do Butão a adotar oficialmente o FIB como índice de desenvolvimento social.
Isso porque existe uma tendência mundial a demonstrar que o acúmulo material não trouxe a felicidade esperada. Um entre cada quatro americanos bem sucedidos se declara infeliz.
Diferentemente dos índices econômicos tradicionais, o FIB inclui fatores subjetivos como emoção e causas geradoras de estresse e interelaciona os fatores. Não pode ser bom para felicidade material e prejudicar o meio ambiente. Todos os níveis são considerados iguais e interdependentes. Além disso as atividades econômicas devem se equilibrar com outros campos criando assim políticas públicas integradas. Não adianta investir apenas em um campo como saúde.
O que é avaliado?
O bem estar material está na base da felicidade num patamar mínimo para suprir as necessidades mais básicas do ser humano, mas a conquista da riqueza não deve prejudicar outros fatores como saúde.
Os estudos da FIB no Butão chegaram a conclusão que 6 horas de trabalho são suficientes para manter ativa a economia do país sem prejudicar atividades individuais importantes para a felicidade como: estar com a família, dedicar-se à práticas espirituais, dormir satisfatoriamente e fazer exercícios físicos.
As nove dimensões da felicidade de um país estão contidas nos seguintes itens:
1) Padrão de vida econômica
2) Educação de qualidade
3) Saúde
4) Expectativa de vida e atividade comunitária
5) Proteção ambiental
6) Acesso à cultura
7) Bons critérios de governança
8) Gerenciamento equilibrado do tempo
9) Bem estar psicológico
De tempos em tempos a FIB avalia se as políticas públicas adotadas nesse sentido forem eficientes, e se o forem as pessoas ficam mais felizes.
Se os estudos recentes de universidades da Escócia e da Califórnia, nos Estados Unidos concluíram que 50% da felicidade das pessoas têm origem genética. Outros 40% têm a ver com as nossas atitudes, e 10% com fatores externos, essa atualização do FIB pode ser feita por todos nós: se o índice de felicidade estiver diminuindo, ou se não há um equilíbrio entre as diversas áreas da vida, é melhor agir e mudar o caminho.

Veja mais em:

http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1124168-10345,00-FELICIDADE.html

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/eventos/conteudo_390777.shtml

http://www.felicidadeinternabruta.com.br/

sábado, 16 de maio de 2009

Recebi o texto abaixo reproduzido e atribuído a Martha Medeiros há alguns dias. Ao começar a leitura tive a impressão que alguém, finalmente, poderia lançar um alento sobre a vida da mulher moderna. Ledo engano...acabei a leitura ainda mais frustrada que antes.

A sensação de que não consigo alcançar nem metade das metas que as "superpoderosas" conseguem me atingiu como um raio. Não bastam os modelos de beleza inatingíveis expostos diariamente pela mídia, agora tenho um modelo de comportamente inatingível também.
Dentro da rotina diária de trabalho, filho pequeno, casa, marido, etc, não me sobra tempo para a academia, para o escrever o quanto gostaria aqui, para os tratamentos de beleza, enfim, para nada....sempre que tenho um tempo livre, tenho mais coisas pra fazer do que o tempo permite.
Isso vai trazendo uma insatisfação intensa, prejudicial.

O fato é que independente de dizer não para muitas coisas - eu uso a técnica de tirar os óculos: assim não vejo direito o que ficou sem fazer, a poeira na sala, etc - já tive que dizer não para muitas coisas. Já disse não ao maior luxo da mulher que trabalha fora por pura impossibilidade financeira: empregada doméstica.

A realidade apresentada pela autora é para poucas: "abrir mão da bolsa Prada ou do batom MAC"? Não se abre mão do que nunca se teve...nem sei quem é Philipe Starck.

Alguns nãos na vida da maioria das brasileiras significa abrir mão de carne no almoço. Ou a Sra. pensa que a empregada que limpa sua casa trabalha para comprar coisas para ela? Até mesmo a secretária em seu escritório fica esperando você liberá-la após uma reunião interminável que adentrou a noite para ir pra casa lavar a roupa que a espera e preparar o jantar para bocas famintas.

Você diz que a mulher moderna está muito antiga. Eu penso mesmo é que muitas adorariam voltar à maneira antiga e se limitarem ao lar, pois a modernidade só trouxe a algumas é mais serviço. Trabalhar fora se tornou obrigatório para sustento do lar. Mais de 26% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.

As mudanças sócio-econômicas ocorridas nos últimos tempos têm obrigado muitas mulheres a partirem para o mercado de trabalho não por opção própria mas para ajudar no sustento familiar, na luta pela sobrevivência. Isso porque sabe-se que prevalece no Brasil a cultura machista e o serviço doméstico é pouco dividido principalmente nas camadas mais pobres. O trabalho fora de casa vai acumular...e não tem como dizer Não.

Na outra extremidade estão as workaholics bem sucedidas que tem acesso a todos esses bens, mas realmente não podem abrir mão do excesso e dizer não. Porque o mercado de trabalho, cada vez mais exigente suga. Quer o máximo e mais um pouco. Não há meio termo. Não há como arrumar um emprego e dizer: vou trabalhar só meio período, está bem?

O desafio está lançado. As mulheres apresentam doenças antigamente masculinas e não é à tôa: a exigência no mercado de trabalho sobre a mulher é a mesma, mas ela ao chegar em casa iniciar o 2º round...até Deus descansou no 7º dia. E no domingo, a chefe da família vai mesmo é pro fogão fazer o almoço esperado ainda mais caprichado, afinal neste dia - eles dizem - ela tem tempo.

E depois eu é que sou chata.


MULHERES POSSÍVEIS...
(Texto da Revista do Jornal O Globo)

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a miss Imperfeita; muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy
e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philipe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante
."